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Como andar de trem na França

Morzim, dêxa di sê jacu, junta os trem que lá vem a coisa.

A França tem uma malha ferroviária ótima e um dos melhores sistemas de trem não só da Europa, mas do mundo. E não estou falando isso só porque meu chéri trabalha na SNCF, eu acho mesmo.

Viajar de TGV (ou trem bala), além de ser uma experiência ótima, é mais fácil que roubar croissant de criancinha. Tudo bem que pra quem nunca andou de trem pode ser um pouco intimidante, mas você conseguiu pegar o avião pra chegar até a França, não foi? Andar de trem é ainda mais fácil.

Mas se mesmo assim ainda está um pouco ressabiado, confira aqui as dicas em passo-a-passo. Et voilà!

Essas dicas são válidas para os TGVs franceses, mas de uma maneira geral, pra andar de trem na Europa inteira você vai fazer exatamente a mesma coisa. Só que com muito menos uh-la-lá.

 

Antes de embarcar no trem

 

Não se esqueça de carimbar seu bilhete no composteur!

A primeira etapa – e a mais importante – é carimbar seu bilhete em um “composteur“, uma dessas maquininhas amarelas que tem pra todo lado nas estações. Não esqueça de fazer isso, pois se o cobrador passar e você não tiver validado sua passagem, você vai ter que pagar multa mesmo tendo comprado tudo certinho.

Depois é preciso localizar a plataforma (voie) do seu trem. É só procurar no painel “trains au départ” pra ver. Mas tem uma sutileza:  se você está indo de Paris para o interior, é melhor procurar no painel o número do trem, e não o nome da cidade.

Por exemplo, um trem Paris-Dijon às vezes tem como ponto final Lausanne, na Suíça. Se eu procurar Dijon no painel, nunca vou achar, porque é Lausanne que vai estar escrito como destino. No sentido interior-Paris é mais fácil, já que Paris é o ponto final de todos os trens. Já percebeu que nenhum trem atravessa Paris?

A plataforma aparece no painel 20 minutos antes da saída do trem.

O painel de saída dos trens. Fique de olho no número do seu.

Embarcando

Assim que aparecer a plataforma, dirija-se até lá. Não espere o último minuto, pois às vezes os trens são muito compridos e se você estiver na ponta, vai ter que andar bem um quilômetro até poder entrar.

Este é o número do vagão, ou voiture.

Olhe na sua passagem qual o número do vagão (voiture) e do assento. Atenção, o 1 e o 2 bem grandes pintados no trem não são o número do vagão, mas a classe. Você tem que procurar numa plaquinha pequena ao lado da porta. Geralmente os vagões 1, 2 e 3 são da primeira classe, e os demais da segunda.

Se seu trem ainda não estiver na plataforma, você já pode “adivinhar” onde seu vagão vai parar. Reparou que ao longo da plataforma existem várias placas com letras enfileiradas? Esses são os “repères“. É só olhar no painel da plataforma qual “repère” corresponde ao seu vagão, depois esperar debaixo da placa da letra correspondente.

É melhor fazer isso cedo, porque nos trens os lugares para as malas são de quem chegar primeiro. Você vai ter que se virar com a própria bagagem, não tem nenhum funcionário pra despachar nem te ajudar a carregar nada. Se você estiver viajando com uma mala pequena, dá pra colocar no compartimento acima dos assentos, senão você vai ter que deixar sua mala no lugar destinado a isso, perto da porta de entrada do trem.

 

Durante a viagem

Agora é só relaxar e aproveitar a paisagem. Perceba que apesar de existir muita gente sem noção, os franceses costumam respeitar o silêncio dentro do trem, principalmente na primeira classe. Se não quiser levar um pito, converse discretamente e coloque o celular em modo silencioso. Perto dos lugares onde ficam as malas existem espaços próprios pra falar no telefone.

Ô povo desanimado. Ninguém vai começar um pagode?

Em caso de controle, diga “Bonjour, Monsieur” para o cobrador e mostre tudo o que tiver, até exame de urina se ele pedir. Tem uns que são muito chatos, outros simpáticos. Em caso de problema, eles falam o mínimo necessário de inglês. Mas depois de ler este post você não vai ter nenhum problema, n’est-ce pas?

Outra dica: se houver paradas intermediárias antes do seu destino, tome cuidado com as malas que você deixou na entrada. Tem gente que usa corrente com cadeado para prender tudo, mas uma simples olhada em quem está descendo e subindo deve ser suficiente, principalmente se você não renega a nacionalidade brasileira e está viajando com 5 malas de 40 quilos. Pelo menos dificulta o malandro sair correndo com suas preciosas muambas debaixo do braço.

Se pelo contrário seu destino não for o ponto final, fique atento pra não perder sua parada. Eles geralmente anunciam cada estação no alto-falante, mas saiba que o TGV é um meio de transporte altamente soporífero, com aquele silêncio, aquele balançar bem de levinho, aquele zunido ao longe, pela janela vem a montanha, a vaquinha, o carneirinho, mais um carneirinho, outro carneirinho… zzzzzzz… zzzzzzzzzzz… hein?

 

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Roteiro de viagem nos Alpes franceses

O inverno é uma época ótima para viajar, basta não ter medo do frio e escolher o destino certo para poder aproveitar.

Este roteiro de viagem nos Alpes franceses eu já fiz com meu chéri há uns anos atrás e vamos fazer de novo com a família toda do Brasil neste inverno. Conte entre 3 a 5 dias para esta viagem.

Saímos de Dijon de carro pela manhã com destino a Annecy, capital do département Haute-Savoie nos Alpes franceses (região Rhône-Alpes). São 280 km de distância e pela auto estrada é bem rápido, apenas 2 horas e meia de viagem.

Annecy é uma cidade linda, e como é pertinho daqui costumamos ir muito lá. Também acho que é a melhor cidade pra servir de base pra um roteiro nos Alpes, pois além de ter outros atrativos do que só as montanhas e ser bem localizada, a hospedagem em Annecy sai mais em conta do que nas outras cidades dos Alpes. Mas claro que se seu objetivo é esquiar, o melhor é ficar numa cidade bem no pé da pista de esqui mesmo.

 

O parque e o lago de Annecy

 

O ideal é ficar em Annecy pelo menos uns dois dias.

 

Hôtel Imperial Palace, que também é cassino em Annecy

 

O famoso Palais de l'Isle de Annecy

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Annecy é uma das poucas cidades na França que tem um cassino, pra quem gosta disso. Eu como já tenho sorte no amor, nem tento…

 

Depois de Annecy, seguimos até Megève. A partir de aqui, prepare-se para ver neve, MUITA neve! Aconselho até alugar um carro adequado, com tração nas 4 rodas, pneus de neve ou corrente nos pneus para não passar apuro nas estradas.

São 60 km de viagem mais lenta pois a cidade já está bem mais no alto das montanhas. Megève é uma típica cidade alpina bem pequena (parece a vila do Papai Noel!), com menos de 5000 habitantes, cheia de chalés de madeira e uma vista do Mont Blanc de tirar o fôlego. Mas a cidade é tão pequena quanto charmosa… e cara!

 

Praça de Megève com a mítica e carésima Boutique Allard

Megève vista do chalé onde ficamos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Megève é um dos lugares preferidos para as férias de inverno dos ricos e famosos que gostam de esquiar.

Quem entende de esqui (acho que já deu pra perceber que não é o meu caso) diz que pistas de esqui do Mont d’Arbois são fantásticas. Vale muito a pena passar pelo menos um dia em Megève mesmo sem esquiar, mas se não estiver disposto a pagar pelo menos uns 300€ por uma diária de hotel, siga adiante no fim do dia até a próxima parada do roteiro: Chamonix.

Chamonix Mont-Blanc, ou apenas Chamonix, fica a 35 km de Megève e é a cidade mais famosa deste roteiro, justamente pelo fato de ter Mont Blanc no nome. Mas sabem o quê? Eu acho a menos charmosa. Deve ser porque não esquio, ou porque quando fui o tempo estava cinzento e tristonho, mas em comparação com as outras foi a que eu menos gostei. A vantagem é que Chamonix é uma opção mais viável do que Megève, onde tudo custa os olhos da cara, tanto para se hospedar quanto para esquiar,

 

Centro de Chamonix

 

Apesar disso, vale a visita só pelo passeio de trem que vai te levar até a Mer de Glace (mar de gelo) que é a maior  geleira da França. O passeio de trem é lindo, você vai subindo pelas encostas até chegar a quase 2.000m de altitude, daí desce de teleférico ou de escada até uma gruta em que tudo é esculpido no gelo. Algo bastante curioso.

 

Descida para o mar de gelo, ou Mer de Glace

Trem que leva para o Mer de Glace

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Aluguel de carro em Paris na porta do seu hotel

A maioria das pessoas alugam carro logo na chegada no aeroporto ou na estação de trem, onde se concentram as principais locadoras: Avis, Hertz, Europcar, Sixt…

Só que para quem vai passar alguns dias em Paris antes de viajar para o interior da França, não compensa alugar um carro logo na chegada, já que é uma péssima idéia circular de carro em Paris. Os transportes públicos como o metrô são uma opção muito melhor!

Só que é uma chateação ter que localizar uma agência no centro da cidade (geralmente são poucas) ou ter que fazer o trajeto até o aeroporto ou estação para buscar o veículo com a tambolhada que você com certeza vai estar levando.

Nessas situações, uma boa solução é o novo serviço oferecido pela Avis, que vem entregar e buscar o carro onde você estiver. O funcionamento é simples: basta se conectar no site www.avis.fr, e no campo “agence de location” escrever a palavra domicile. Isso deve ser feito no mínimo 24 horas antes do momento desejado pro aluguel. Depois você escolhe o horário e o endereço de entrega do veículo e alguém vem trazer o carro na porta do seu hotel, por exemplo.

O serviço Avis à Domicile por enquanto só está disponível em Paris e não é gratuito, custa 19 euros. Mas eu acho que vale a pena, considerando a apoquentação que você vai economizar!

 

Dirigir na França: self-service de gasolina no Carrefour

Vinte litros de aditivada e dois de leite, por favor.

Se você pretende alugar um carro pra viajar e já ficou feliz da vida com o título do post, não se iluda. Não estou falando de rodízio de gasolina à vontade, mas sim de posto em que é você mesmo que vai na bomba e põe a gasolina no carro.

Na França, frentista é uma categoria de trabalhadores extinta há anos, então o jeito é botar a mão na massa e invocar o exu da Solange do Big Brother. É só vestir um shortinho e cantar assim: iarnuou, iarnistilveeeeee.

Deu certo? Se não deu, aqui vão algumas dicas pra abastecer o carro sem quebrar a cabeça (ou as unhas).

Pra começar, existem 3 tipos de combustível mais comuns: essence sans plomb 95 ou SP-95 (gasolina comum), sans plomb 98 (aditivada) e gazole ou gasoil (diesel). Alguns postos disponibilizam um novo tipo de gasolina, SP95-E10, que é misturada com um pouco de etanol. A SP95-E10 é mais barata que as outras, mas tome cuidado porque nem todo carro aceita esse combustível! Esse é um exemplo de barato que pode sair caro, afinal não vale a pena arriscar pifar o carro no meio da estrada pra economizar alguns centavos. Certifique-se antes com a locadora que seu carro pode rodar com a E10.

Agora que já sabe o que colocar no carro, falta saber como. Amigas dondocas, não tenham medo, pois é tudo muito simples. Você já é especialista nisso e nem sabia: vai dizer que não adora parar seu carro, descer, pegar seu cartão de crédito e enfiar numa maquininha? Então, é isso que tem que fazer. Você na realidade vai pagar antes de se servir e só vai saber o valor depois. Isso é pra evitar o ‘esquecido’ que coloca gasolina no carro e vai embora sem pagar. Pode digitar sua senha sem saber quanto vai dar sem medo, porque é assim mesmo (o valor você vai controlando depois na medida que for enchendo o tanque). Agora é só escolher o tipo de gasolina e a mangueira correspondente vai se desbloquear.

Ah, não se esqueça antes disso de vestir uma luvinha de plástico descartável, geralmente é possível encontrá-las logo ao lado das bombas.

Depois de abastecer, devolva a mangueira pro lugar. O valor então vai ser debitado do seu cartão. Pegue seu ticket (se escolheu a opção de emitir um) e pronto!

Também existe o posto de gasolina em que você se serve, mas paga no caixa logo em frente. Nesse caso você não coloca cartão nem nada, mas na hora de sair passa numa espécie de drive-in (como um pedágio), dá o número da bomba que usou e paga a quantia no caixa. Se você não achar lugar nenhum pra pagar, é porque tem que descer do carro e ir lá no caixa da lojinha de conveniência mesmo. Mas nem pense em dar uma de João sem braço e ‘esquecer’ de pagar, tudo é vigiado por câmeras e logo logo a polícia vai estar na sua cola.

Outras dicas úteis:

- Se for viajar de auto-estrada, nunca abasteça nos postos de gasolina das aires d’autoroute na beira da estrada, sempre é lá que a gasolina é mais cara. Aliás, tudo nessas paradas é mais caro. Saia da cidade de origem com o tanque cheio pra não ser obrigado a abastecer numa delas.

- Gasolina aqui se compra também no supermercado. Não dentro do Carrefour (dã!), mas na saída do estacionamento, onde sempre costuma ter um posto. Procure abastecer em supermercados como Géant, Carrefour, E. Leclerc, Intermarché, Super U, a qualidade da gasolina é a mesma e o preço costuma ser melhor.

- Postos das redes Total, Esso, Shell, Elf, Bp são melhor localizados no centro das cidades, mas costumam ser os mais caros.

- Deu pra perceber que sem cartão de crédito vai ser difícil conseguir gasolina, né? Então deixe o cheque pré pra 30 dias que você costuma dar no Posto Matagal em casa e bote o Visa pra funcionar!

 

Como fazer roteiros de carro na França

Viajar de carro na França além de ser muito fácil é uma delícia, até pra quem não gosta muito de dirigir. As estradas são ótimas, os motoristas de modo geral são educados e as paisagens são de tirar o fôlego.

Em breve publicarei algumas ideias de roteiros na França que já fiz ou que sei que são legais de fazer. Enquanto isso, para quem está pensando em viajar de carro, recomendo dois sites que são uma mão na roda (gostou do trocadilho?): Via Michelin (Europa) e Mappy (França).

Hoje em dia todo mundo tem um GPS, mas esses sites são muito úteis na etapa de preparação da viagem. Eu sempre dou uma olhada quando vou pegar uma estrada que não conheço bem para decidir onde vamos parar ou olhar no mapa se vale a pena fazer um desvio pra ver alguma cidade interessante.

É só colocar a cidade ou endereço de partida e chegada que o site calcula tudo pra você: distância, tempo de viagem pela auto estrada (autoroute) ou estrada normal, quanto vai custar (gasolina, pedágio)… Você pode até calcular rotas a pé ou de bicicleta dentro de uma cidade e saber quanto tempo vai precisar pra fazer o trajeto.

Aperte o cinto e bon voyage!