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Vieille bourse

Lille: por que vale a pena ir

Pergunte para qualquer francês sobre o norte da França (região Nord-Pas de Calais) que ele vai dizer que é uma região chata. Chata nos dois sentidos: além do relevo ser plano, sempre chove, só faz frio, o povo é meio caipira e fala com um sotaque meio abestalhado que todo mundo adora gozar.

Tá, em parte pode até ser verdade, mas a capital da região Nord, Lille, é uma das minhas cidades francesas favoritas. Já estive lá várias vezes e cada vez fico com um gostinho de quero mais.

Situada a 220 km ao norte de Paris, pertinho da fronteira com a Bélgica, Lille já é mais belga que francesa. Lá as pessoas falam diferente, comem e bebem coisas diferentes, se comportam diferente e até têm um apelido diferente: ch’ti. E você vaiver ch’ti pra todo lado, é ch’ti isso, ch’ti aquilo…

Ch’ti quoi?

Quem achou que falava francês vai ficar meio confuso, mas é assim mesmo. Há uma controvérsia sobre o que ch’ti quer realmente dizer, alguns dizem que é o equivalente de petit, outros de celui (este, aquele). Em todo caso, os ch’tis – como também são apelidados os habitantes do norte – têm orgulho de ser como eles são e de falar o dialeto próprio deles e estão pouco se lixando pras gozações dos parisienses e mediterrâneos. E com toda razão, porque a terra deles é bacana mesmo.

 

Como ir a Lille

A viagem a Lille é muito fácil de se fazer e a cidade pode ser visitada em um dia, apesar de 2 dias ser o tempo recomendado pra ver tudo com calma. Você pode fazer uma ida e volta de Paris de TGV (1 hora de viagem) ou fazer uma parada de uma noite se estiver indo de Paris pra Londres, Bruxelas ou Amsterdã. Lille tem conexões diárias de trem Eurostar pra Londres (1h30) e de Thalys para Bruxelas (30min) e Amsterdã (3h), saindo da gare Lille-Europe no centro da cidade.

 

O que ver e fazer

Se o tempo estiver frio ou chuvoso (o que tem bastante chance de acontecer), pegue o city tour de Lille de micro ônibus, que dá uma boa volta pela cidade durante 50 minutos. Senão, vá passeando a pé mesmo.

O centro histórico da cidade, Vieux Lille, tem ruelas lindas. Aprecie a arquitetura flamenga da cidade: aqui você vai ver muitas casinhas de tijolo marrom, compridas e estreitas e coladinhas umas nas outras. A Place aux Oignons é pequena e uma gracinha, já a place Général de Gaulle (mais conhecida como Grand’ Place, como a de Bruxelas) é enorme e tem um panorama legal da arquitetura de Lille dos sec. XVII a XX.

É nesta última que se situa a Vieille Bourse, que é o monumento mais bonito de Lille. Todo dia no pátio da Vieille Bourse tem venda de livros e discos usados, sempre que vou dou uma fuçada. Desta vez encontrei livros pro meu filho por 1€ que nem eram usados!

Bem pertinho ficam a Opéra de Lille e a Chambre de Commerce com seu famoso beffroi (pronuncia-se befruá) ou torre do relógio. Não é possível subir nesta torre, mas o beffroi de l’hôtel de ville a uns 10 minutos a pé oferece uma vista bem legal da cidade.

Sem falar que em Lille come-se e bebe-se muito bem! Vários restaurantes típicos (os estaminets) servem pratos deliciosos e a cidade é cheia de tentações como gaufres, doces…

Só esqueça o vinho e vá de cerveja mesmo, que é o que a região produz de melhor.

Galeria de fotos:

 

Esqueça o regime e experimente as delícias de Lille

A gaufre tradicional. Delícia!

Sempre que viajo, faço questão de estudar de perto todos os aspectos de uma cidade. Principalmente as guloseimas!

No norte da França a tarefa não foi difícil. Em Lille, assim como na Bélgica, uma das especialidades é a gaufre, ou waffle. Não tem nada melhor que uma gaufre quentinha coberta de nutella ou açúcar de confeiteiro, acompanhada de um bom café ou chocolate quente… (eu tenho uma maquininha de fazer gaufre e essa é uma das minhas atividades preferidas pras tardes de domingo no inverno).

Patisserie Meert

Pois então, sendo eu bem chegada numa gaufre, tive quer ir à patisserie Meert (27 rue Esquermoise), a mais tradicional de Lille, para provar a famosa gaufre à la vanille (baunilha) que o general Charles de Gaulle, nativo da cidade, adorava.

A patisserie é linda, daquele tipo que só de ver a vitrine já dava água na boca… então imaginem qual não foi a minha decepção quando o cara me veio com uma espécie de bolacha achatada, tipo um biscoito wafer mole e amassado com aquele recheio bem açucarado!

Ainda bem que o general de Gaulle não escreve blog sobre viagens, senão seria obrigada a dar um pito nele.

Enfim, a patisserie Meert vale muito a pena, mas fiquem fora da gauffre à la vanille, que com certeza não é o que eles vendem de melhor.

Outra guloseima típica de Lille é a tarte au sucre (torta de açúcar), que nada mais é do que um biscoitão de massa bem leve e fofinha, como um brioche, coberto por uma crosta de açúcar. Não tem nada de especial, mas é danado de gostoso. O interessante é que eles vendem tarte au sucre no Paul (rede de padaria/lanchonete) de Lille, mas não nos das outras cidades francesas.

Pra acompanhar isso tudo, a boa pedida é um verdadeiro chocolat chaud. Verdadeiro quer dizer chocolate ao leite belga derretido, ao qual você acrescenta leite integral bem quente, como servem no Café de Foy, entre a Place Rihour e a Grand’ Place. Depois desse você nunca mais vai querer saber de leite com Nescau…

Ah, já ia esquecendo: o Speculoos, biscoitinho amanteigado sabor canela que costuma acompanhar o café também vem daqui e é uma delícia!

 

 

beffroi

Subida no beffroi do Hôtel de Ville em Lille

beffroi

Beffroi do Hôtel de Ville em Lille, patrimônio da Unesco. Foto: OT Lille

Continuando nossa visita a Lille, subimos no beffroi do Hôtel de Ville, patrimônio da Unesco, para aproveitar de uma vista linda da cidade.

Um beffroi nada mais é do que o termo usado no norte da França para a torre do relógio. Nas outras regiões, o equivalente é campanile.

A subida começa com 100 degraus a pé, depois é possível tomar um elevador para chegar ao topo, que está a 104 metros de altura. Caso o recepcionista te proponha ir de escada para ‘admirar os pontos durante a subida’, recuse a gentileza e vá de elevador mesmo, a não ser que esteja querendo malhar os quadríceps: você vai ser obrigado a descer de escada de qualquer jeito e vai poder admirar tudo o que ia ver na subida.

O beffroi é estreito e o elevador é minúsculo, só sobem 5 pessoas de cada vez. Por isso, no verão costuma ter fila de até duas horas pra subir. Como estive lá em outubro, só tinha a gente mesmo e subimos de primeira.

A entrada custa 6€, mas caso viaje fora da temporada, a dica é que na primeira e terceira 4ª feira do mês, o acesso é gratuito. No verão evite esses dias, porque se em tempo normal já é lotado, na 4ª feira fica pior que fila do INSS.

 

Galeria de fotos.

 

Au Vieux de la Vieille: dica de restaurante em Lille

Entrada do estaminet Vieux de la Vieille

Entrada do estaminet Vieux de la Vieille

Em Lille e no norte da França existem muitos estaminets, que são pequenos restaurantes tradicionais da região. Este termo designa um bar-bistrô ou restaurante nordiste que vende cerveja e cigarros e faz parte do patrimônio cultural da região norte.

Fui no estaminet Au Vieux de la Vieille na Place aux Oignons e fiquei encantada! Os donos do restaurante são super simpáticos (esqueça o garçon marrento que tem o hábito de ver em Paris), os pratos são fartos e baratos e a cozinha é de qualidade. Sem falar no ambiente que é super gostoso: a decoração retrô é cuidadosa e aconchegante, no estilo dos restaurantes de antigamente.

 

Almoçamos ao som de Georges Brassens, que o casal de proprietários acompanhava cantarolando alegremente.

O salão do restaurante. Esta foto eu roubei do site deles, a minha não ficou boa..

O restaurante é minúsculo, então você vai sentar coladinho com seu vizinho de mesa. Isso é muito comum na França e é uma coisa que eu detesto, mas dessa vez nem me importei: o ambiente estava tão amigável que simpatizamos com as duas mesas ao lado da gente (uma mulher viajando sozinha e um casal cinquentão) e almoçamos como se fôssemos companheiros de viagem.

Neste estaminet ou em outro, procure pratos típicos como a carbonade flamande, carne cozidinha na cerveja preta e no açúcar mascavo – chega a ser meio doce-, o potjevleesch ou ‘prato do pobre’ que leva coelho, porco, vitela e franco cozidos juntos com osso e tudo e que lembra um bom mocotó. Nada muito leve, mas no frio a gente gasta muita caloria pra se aquecer, certo?

Eu fui de carbonade flamande, meu chéri encarou o welsh, um prato anglo-saxão que é basicamente uma fatia de pão inglês molhada na cerveja, soterrada por uma dose cavalar de queijo cheddar derretido e ainda leva um ovo frito por cima. Pra ficar mais light, isso tudo é acompanhado de batata frita! Só que na versão francesa que o chef inventou, no lugar do cheddar, o welsh levou maroilles, o queijo mais típico (e fedido) da região.

 

Carbonade flamande

Welsh de maroilles. Super light

 

 

 

 

 

 

 

 

Ou seja, vale a pena conferir o Au Vieux de la Vieille mas chegue cedo ou reserve, porque lota rápido (principalmente no inverno, no verão tem mais lugares do lado de fora) e vi muita gente dando com a cara na porta!

Cerveja ambrée, boa e barata

 

 

Ah, ainda em tempo: eles servem uma ótimas cervejas. Não deixe de experimentar a cerveja artesanal feita por um brasseur (cervejeiro) exclusivamente para a a casa.

 

 

 

 

 

City tour em Lille

Micro ônibus que leva o city tour

Ontem fui passear em Lille e o tempo não ajudou. Ficou nublado o dia todo e choveu várias vezes, mas nem por isso deixei de me divertir!

Enquanto a chuva não passava, pulei logo num city tour de Lille de micro ônibus. Geralmente não curto muito esse tipo de passeio turistão, mas esse foi legal, já que passa em muitos lugares que não teria ânimo de ir a pé. Além disso, foi milagroso: foi só a gente voltar que parou de chover.

O passeio dura 50 minutos e passa na frente dos principais pontos turísticos da cidade. A visita é acompanhada de um áudio-guia disponível em 9 línguas. Como sempre, falta o português, mas nós brasileiros que somos poliglotas já estamos acostumados, né? Então ligue o comentário em chinês e aproveite!

O city tour sai da frente do Office de Tourisme (place Rihour) todos os dias (a cada hora entre 10 da manhã e 5 da tarde) e custa 11€ por pessoa.

 

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