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Dijon, parte 2: passeio de um dia

Passeando em Dijon

Chegando em Dijon, a estação de trem fica bem no centro da cidade e você pode fazer tudo a pé. Assim que sair da estação, logo à direita fica o Office de Tourisme. Entre lá, pegue um mapa da cidade e compre o “Percurso da Coruja”, guia do centro histórico da cidade. Ele custa apenas 3€50 e vai guiá-lo pelos 22 pontos mais interessantes da cidade, seguindo as flechas de bronze pelo chão. Ele existe em português do Brasil, coisa rara na França! A versão brasileira foi feita por moi, na época que trabalhava lá :) Escrevi um post sobre o Percurso da Coruja que pode ser lido aqui.

Pronto! Agora você está equipado para seu dia em Dijon!

Continue pela avenue Foch, o centro histórico fica a 5 minutos da estação de trem. Siga o Percurso da Coruja, passando pelo Jardim Darcy até chegar na porte Guillaume, o mini Arco do Triunfo de Dijon.

A rua que começa na Porte Guillaume, a rue de la Liberté, é uma das principais ruas de Dijon, e a mais movimentada. Ela não está no percurso mas não deixe de passar por ela. Na rue de la Liberté ficam lojas ótimas, como a Galeries Lafayette e a Boutique Maille, que vende uma quantidade enorme de mostardas diferentes (existe uma réplica desta loja em Paris, na Madeleine), aromatizadas até com caviar. A minha mostarda preferida é a moutarde au Chablis, que sai fresca da torneira igual chope. Você pode degustar vários tipos e escolher a sua, é uma ótima idéia de presente.


 

Se você estiver em Dijon numa terça, quinta, sexta ou sábado, o Marché des Halles é uma parada obrigatória! Lá é possível encontrar ótimos produtos, em especial o jambon persillé, ou presunto com uma espécie de gelatina de salsinha, uma especialidade da Bourgogne. Mesmo sem comprar nada, vale o passeio! Mas vá logo cedo, pois o mercado só funciona de manhã, e na quinta apenas algumas barracas estão abertas. Alguns dias tem também uma feirinha de antiguidades nas ruas vizinhas, principalmente perto da Place Grangier e da Place François Rude na foto aí embaixo.

 

Pausa para o almoço

As ruas em volta do Marché des Halles são uma ótima opção para almoçar. Dê uma volta completa no mercado e procure nas ardósias o menu que mais te apetece! Os restaurantes aqui são muito bons e baratos, com produtos frescos vindos diretamente do mercado. Meus preferidos são o restaurante L’O (formule entrada + prato + sobremesa por apenas 13€), o Casa di Lola (massas e pizzas) ou o D’Zenvies. Se estiver com vontade de um restaurante mais elaborado, com menu tradicional da Bourgogne, prefira os restaurantes gastronômicos como “La Dame d’Aquitaine” (place Bossuet) ou Les Oenophiles (rue Sainte Anne). São mais caros mas oferecem uma cozinha e vinhos de altíssima qualidade!

Uma particularidade das cidades de pequeno e médio porte da França como Dijon é que os restaurantes só funcionam de 12 às 14h. Se você chegar às 13:45 querendo almoçar, é bem provável que nem te aceitem mais, ou que a maioria dos pratos tenha acabado. Ou seja, fique esperto pra não ter que se contentar em comer um lanche no Mc Donald’s!

Os museus de Dijon

Depois do almoço, continue seguindo o Percurso, mas não deixe de entrar em um dos museus. Dijon tem 8 museus com temas diferentes, o que é excepcional pra uma cidade desse tamanho. Como num dia só não dá pra ver todos, escolha o mais legal, que é o Musée des Beaux-Arts, que fica no Palais des Ducs et des Etats de Bourgogne. Esse realmente é imperdível! Além da coleção ser super interessante, o museu é lindo, pois fica num palácio, assim como o Louvre. O destaque fica para a Salle des Gardes, onde se encontram os túmulos dos Ducs de Bourgogne. O melhor disso tudo? Todos os museus de Dijon (exceto o Musée Magnin) são grátis!

  

Ainda no Palais des Ducs é possível subir na Tour Philippe le Bon. As subidas são organizadas a cada 45 minutos e custam 2€30. Vai ser preciso um pouco de fôlego pra subir a pé os 316 degraus que levam ao topo, mas a vista compensa! O interessante é procurar pelos telhados coloridos típicos da Borgonha, feitos de telhas vitrificadas:


Aproveitando que já queimou umas calorias com a subida, antes de voltar passe em uma das lojas que vendem outra especialidade de Dijon: o pain d’épices. É como um pão de mel, sem cobertura de chocolate, e um pouco mais seco. Ele não é ideal pra ser consumido puro, mas é uma delícia com geléia ou foie gras. As lojas La Rose de Vergy (rue de la Chouette) et Mulot et Petit Jean (place Bossuet) são as mais tradicionais. Os biscoitos, balas e doces da Rose de Vergy são feitos na própria loja todas as manhãs e a loja da Mulot et Petit Jean é lindíssima e vale uma visita nem que seja só pra olhar.

 

Bate-e-volta em Dijon, parte 1

Pra não dizerem que santo de casa não faz milagre, aqui vai uma idéia de bate-e-volta saindo de Paris a Dijon, a linda cidade em que estudei, morei, trabalhei como assessora de imprensa turística e que adoro! Tenho tanta coisa pra falar e tanta foto pra mostrar que poderia escrever um livro. Mas pra não cansar a beleza de quem estiver lendo, vou dividir as dicas em vários posts relacionados entre eles :)

Dijon é a capital da região Bourgogne, antiga capital dos Duques que na idade média possuíam um império mais vasto e importante que o da coroa francesa: o ducado ia da atual Borgonha até a Suíça, e da Bélgica até a Holanda e o Luxemburgo. Por isso em Dijon tudo gira em torno dos ducs de Bourgogne: Philippe le Bon, Charles le Téméraire, Philippe le Hardi e Jean Sans Peur são nomes que você vai ver pra todo lado. Foi só em 1678, sob o reinado de Louis XIV, que a Borgonha foi anexada ao reino da França.

Place de la Libération, com o Palais des Ducs de Bourgogne ao fundo

Dijon é considerada uma cidade “mimada”. O pessoal aqui nunca passou dificuldade, a cidade foi preservada por todas as guerras e catástrofes pelas quais a França passou, a terra é fértil e o clima… bom, o clima já é outra história ;) Por isso em Dijon, num perímetro bem pequeno, é possível encontrar em ótimo estado tanto ruelas medievais, daquelas com casas de tijolinho e madeira aparente, herança da época em que Dijon fazia parte da rota comercial de especiarias e tecidos, quanto lindos palacetes (ou hôtels particuliers) da Renascença, época em que Dijon era uma das cidades preferidas da burguesia endinheirada.

A cidade capital dos duques herdou daquela época a reputação de ser uma rica cidade burguesa, nos moldes de Paris. Só que hoje beeeeem menor.  E isso é o que eu prefiro aqui: acho que Dijon é um dos mais belos exemplares de cidades do interior da França que ainda não foram completamente invadidas pelos turistas, e justamente por isso propiciam uma experiência de passeio bem mais autêntica.  Aqui tem de tudo do bom e do melhor, tudo fica pertinho, o centro histórico pode todo ser visitado a pé… sem falar que estamos na Bourgogne! Região dos vinhos e da gastronomia por excelência. Hummmm…

 

Quando e como ir a Dijon

Apesar de achar que é preciso pelo menos dois dias pra visitar Dijon corretamente, um bate-e-volta já dá um passeio legal e é muito fácil: Dijon fica a apenas 1h40 de TGV de Paris saindo da Gare de Lyon. O ideal é pegar o TGV Paris-Dijon que sai às 8h28 e chega às 10h05 na ida, e o Dijon-Paris que sai às 17h58 e chega às 19h48 na volta. Não fique com preguiça de acordar cedo pra ir e voltar mais tarde, pois assim você vai aproveitar muito menos…

Não compensa ir a Dijon de carro, a não ser que você esteja fazendo um circuito e não um bate-e-volta. De carro é preciso contar mais de 3 horas de viagem de Paris, o que deixa o dia bem puxado. Sem falar que o carro vai ser mais um estorvo do que uma utilidade; a única coisa que você vai fazer com seu carro é estacionar (com dificuldade) e deixar encostado o dia todo. Nem pense em circular de carro em Dijon, por enquanto é a pior idéia do mundo. As ruelas são pequenas, as vagas de estacionamento são raras e caras, sem falar que até setembro de 2012 a circulação da cidade estará um caos por causa das obras de construção do bondinho elétrico, que virou mania em todas as cidades francesas.

Detalhe: Dijon é uma cidade linda, mas pequena. Então evite ir no domingo pois quase tudo vai estar fechado, como na maioria das cidades de pequeno e médio porte na França que não vivem exclusivamente do turismo. Segunda-feira de manhã muitos comércios também fecham, mas abrem à tarde, então não atrapalha muito. Terça-feira é um dia a ser evitado pra quem gosta de museus, pois é o dia em que todos estão fechados.

Quanto à época do ano, todas as estações valem, apesar da meia-estação (primavera, abril/maio e outono, setembro/outubro) ser o período mais agradável. Apresento a vocês Dijon, cidade que tem uma das maiores amplitudes térmicas da França: no inverno faz um frio de lascar, enquanto no verão faz um calor de rachar mamona. Ótimo, não?

 

A seguir: passeios em Dijon, o que ver, o que comprar e o que comer

 

fondue savoyarde

Feira internacional de gastronomia de Dijon

Stands da foire gastronomique

Nossa tradição anual aqui em novembro é ir à Foire Internationale et Gastronomique de Dijon. Na verdade é mais uma consolação: o tempo está cada vez pior, mas pelo menos no inverno a gente come bem.

A feira de gastronomia de Dijon, que existe há mais de 80 anos, é uma das principais da França. São mais de 600 stands com comidas típicas de todas as regiões francesas, artesanatos, artigos para casa e bugigangas diversas. É possível degustar e comprar todos os tipos de iguarias, de escargot a champagne, além de jantar num dos restaurantes típicos regionais.

Apesar dessa variedade toda, sempre acabamos seguindo nosso ritual: fondue de queijo no restaurante Le Temple du Fromage, depois crêpe au Grand Marnier de sobremesa.

 

Le temple du fromage
Fondue savoyarde, ou de queijo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Grand Marnier é um licor finíssimo muito apreciado pelos franceses, à base de laranja e Cognac. É o Grand Marnier que entra na receita do famoso crepe suzette, que é simplesmente uma delícia!

 

Crepes sendo preparados...
... para depois serem regados de Grand Marnier. E o melhor: é à vontade!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Foire Internationale et Gastronomique de Dijon
Parc des expositions – 21000 DIJON
Data: todos os anos, nas duas primeiras semanas de novembro

A entrada custa 5,50€, mas existe meia entrada (3€) para estrangeiros mediante apresentação do passaporte.

 

 

Placa que indica um ponto interessante

Visita de Dijon seguindo o “Percurso da Coruja”

O passeio mais legal para se fazer em Dijon sem dúvida é o “Percurso da Coruja”, que  tem 22 etapas e passa nos principais pontos turísticos da cidade.

O percurso deve ser feito a pé. Você vai seguindo as flechas no chão, e em cada ponto de interesse uma placa de bronze indica um número, que remete à explicação do mini-guia que pode ser adquirido no office de tourisme.

A vantagem é que você vai visitando a cidade ao seu ritmo, levando de 2 horas a um dia inteiro.

O mais legal disso tudo? O “Percurso da Coruja” existe em português, traduzido exclusivamente para meus compatriotas brasileiros por moi même!

Veja algumas fotos do percurso:

Tripulação, decolagem autorizada!

Melhor que o sul da França? Só o céu da França.

Um dos passeios mais bonitos que já fiz aqui na França foi sobrevoar os vinhedos da Borgonha de balão. Acho que esta época do ano é a melhor pra fazer esse passeio que eu recomendo muito!

O outono aqui acabou de começar, e é agora que os vinhedos franceses ficam mais bonitos. Depois da colheita da uva (as famosas vendanges) as folhas dos parreirais começam a ficar com um lindo tom dourado e avermelhado, antes de cair completamente no inverno.

O passeio de balão aqui na Borgonha pode começar em qualquer lugar próximo de Dijon ou Beaune. A empresa busca você no hotel em que estiver hospedado bem cedinho pela manhã ou de tardinha, quando os ventos estão mais favoráveis. Em seguida, rumamos para o lugar da decolagem, que no meu caso foi no jardim do Château de la Berchère, perto do vilarejo de Nuits-Saint-Georges, região que produz um dos vinhos mais famosos do país.

 

Chegando lá, depois dos preparativos para a decolagem (os mais animados podem até ajudar na hora de encher o balão, eu fiquei só olhando mesmo), partimos para 2 horas de vôo. A decolagem é tão suave que a gente só percebe que não está mais no chão quando tudo começa a ficar pequenininho lá embaixo…

E prepare sua máquina fotográfica e sua filmadora, porque com certeza vai baixar um espírito de turista japonês em você. Eu fiquei empolgadíssima e tirei umas trocentas fotos, mas é impossível capturar a sensação de liberdade que se sente ao sobrevoar um lugar tão lindo!

Durante o passeio, Pierre Bonnet, responsável pela empresa Air Escargot que faz esses passeios de balões, vai dando as explicações e indicando os pontos que vamos vendo do alto: castelos, vinhedos, estradas… sobrevoando baixinho um vinhedo já perto de Beaune vemos um pessoal trabalhando na colheita das uvas e é claro que eu dou um tchauzinho – mas estou muito longe pra que meu aceno seja visto. Não tem problema, agora já é hora de subir mais alto que as nuvens. Nessa hora bate um frio danado mas nada que atrapalhe a curtição.

O sol começa a se pôr e já é hora de achar um lugar para o pouso. E foi aí que aprendi o óbvio que o balão voa pra onde quer e que a gente não ia voltar para o lugar de onde a gente saiu. O vento nos levou a alguns quilômetros ao sul de Beaune, e enquanto Pierre fala no rádio com o motorista da van que nos seguia por terra, eu começo a me preocupar. A gente não vai descer nesse descampado aqui no meio do nada, vai? Vai, sim. Seguindo as instruções de Pierre, todo mundo se agacha, segura bem nas alças da cesta do balão e se prepara caso o cesto vire de lado (hein?). Ahh então é por isso que as bordas do cesto são todas acolchoadas? Achei que era só pra gente se debruçar melhor na hora de tirar fotos.

No momento do pouso, o cesto realmente vira de lado, mas foi menos pior do que imaginei. O casal de japoneses ao lado solta um risinho nervoso com a situação constrangedora (um acabou deitado em cima do outro, olha só!) mas parece curtir a adrenalina do momento. Pronto. Agora é só pegar a van e voltar para o ponto inicial, não sem antes comemorar o ‘batismo’ com uma tradicional taça de champagne e receber um certificado de balonista iniciante!

A Air Escargot organiza passeios de balão na Borgonha diariamente entre abril e outubro. O preço fica por volta de 250€ por pessoa, mas pode variar em função do número de participantes. Os vôos saem em função da meteorologia e devem ser reservados com antecedência: +33 (0)3 85 87 12 30. www.air-escargot.com