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Hotel-restaurante Castel de Très Girard, na rota dos vinhos da Borgonha

Aproveitando o ensejo do último post sobre o batizado do Rafael, aqui vai uma dica para quem estiver procurando um hotel-restaurante bom na Route des Vins de Bourgogne (rota dos vinhos da Borgonha): o Castel de Très Girard.

Foi lá que fomos almoçar depois da cerimônia na Mairie da minha cidade. O Castel de Très Girard fica em Morey-Saint-Denis, uma das várias cidadezinhas produtoras de vinhos entre Dijon e Beaune.

 

Já tinha ido nesse restaurante (que também é um hotel) algumas vezes a trabalho, tinha gostado muito da comida, do atendimento e do local, por isso decidimos levar nossos convidados para comemorar o evento com um almoço lá.  Depois de brindar (com direito a Champagne e canapé de foie gras) o batizado do Rafael em casa mesmo, pegamos a estrada.

Chegando lá, o atendimento do restaurante foi super atencioso: eles reservaram um salão exclusivamente pra gente, e até emprestaram a suíte master no andar de cima pra soneca vespertina do Rafael.

Quem leu o post sobre a refeição gastronômica francesa, que mais parece uma maratona do que um almoço, entende a necessidade disso. É tanto prato um atrás do outro que a gente praticamente sai do almoço na hora da janta.

Mas olha que o “sacrifício” vale a pena.

Pra começar, o lugar é super bonitinho. O Castel fica em meio a lindos vinhedos (que ficam menos lindos nessa época do ano, infelizmente), numa construção tradicional de pedra e madeira, ornada de um pátio com um jardim muito bem cuidado e uma piscina bem agradável. O salão principal do restaurante tem vista pra piscina, mas ficamos na sala VIP (cof, cof) do outro lado da recepção.

 

A mesa para 14 pessoas foi arrumada de maneira simples, mas elegante

Cada convidado teve direito a um menu personalizado:

Havíamos escolhido antecipadamente a entrada, o prato e a sobremesa. Os vinhos escolhemos na hora, tomamos um Chablis excelente mas esqueci de anotar o nome e o ano exatos… Mas o restaurante tem uma ótima carta de vinhos – o que não poderia ser diferente em plena rota dos vinhos!

Já sabendo que nesse tipo de lugar o chef sempre manda de cortesia os amuse-bouches assim como os chocolates e docinhos que acompanharam o café, preferimos não incluir os queijos porque senão ninguém ia aguentar. Não queria sair rolando do restaurante (quanta deselegância, n’est-ce pas?) mas não teve jeito:

 

Etapa 1: Salgadinhos finos de aperitivo

Etapa 1.2: a mise en bouche - creme de aspargos

Etapa 2: Entrada - Ovo pochê com fricassê de alho poró, queijo comté derretido no pão torrado

Etapa 3: Prato principal - Filé de rascasse (um tipo de peixe que não sei como traduzir) com grãos de trigo, beterraba agri-doce e emulsão de pimenta rosa

Etapa 4: Sobremesa - Brownie com maçãs caramelizadas e sorvete

Etapa 5: Docinhos para acompanhar o café - crocante de chocolate, biscoitinho tipo "tuile" e mousse de chocolate

Agora vou ali fazer uns abdominais. Acho que só de ver essas fotos já engordei uns 3 kg…

Para mais informações e reservar no Booking.com:

Castel de Très Girard
Rue de Très Girard
21220 Morey-Saint-Denis

 

Vente des Vins de Beaune, o leilão anual dos vinhos da Bourgogne

Um dos eventos mais importantes da Bourgogne é o leilão anual de caridade dos vinhos de Beaune, ou a Vente des Vins des Hospices de Beaune, que este ano está na sua 151ª edição.

A Vente des Vins de Beaune organizada pela Christie’s acontece sempre no último fim de semana de novembro e é concorridíssima! Estive lá hoje pra conferir:

O leilão em si não tem interesse nenhum pra quem está passeando. Como se trata de um leilão de caridade, algumas celebridades e empresários franceses fazem lances super altos para contribuir com a causa do hospital de Beaune. Apesar disso, a imprensa e os especialistas acompanham tudo bem de perto pois os lances costumam indicar a tendência do valor dos vinhos do ano. Os lances são feitos num salão logo em frente ao Hôtel Dieu, e é possível ver o que está acontecendo pelo lado de fora.

Gente curiosa!

Eles liberam a entrada para algumas pessoas e eu até que queria ver mas a fila me desanimou. E vai que me coça um piolho bem na hora que estão leiloando um barril de vinho carésimo e acham que eu estou dando um lance? Tô fora! :mrgreen:

Isso tudo é gente querendo entrar no leilão.

Portanto, o interesse da coisa não é o leilão, mas sim os eventos que comemoram o fim da temporada de produção de vinho. Durante dois dias a cidade fica em ritmo de festa regada com vin, beaucoup de vin! As caves se abrem para degustações, as praças são invadidas por barraquinhas com comidas e bebidas, os estacionamentos viram parques de diversões para crianças, e as ruas ficam lotadas de turistas e habitantes locais.


Este ano o frio deu uma trégua e a temperatura estava bem agradável pra um fim de novembro. Tinha até gente almoçando nos terraços, coisa que até hoje nunca tinha visto nesta época do ano!

 

Confira aqui o programa dos eventos da Vente des Vis de Beaune de 2011. As festividades costumam ser muito semelhantes de um ano pra outro. Outra coisa que não muda: tudo fica lo-ta-do! Ou seja, se quiser participar de alguma degustação ou evento, é melhor reservar com antecedência.

 

Dijon, parte 2: passeio de um dia

Passeando em Dijon

Chegando em Dijon, a estação de trem fica bem no centro da cidade e você pode fazer tudo a pé. Assim que sair da estação, logo à direita fica o Office de Tourisme. Entre lá, pegue um mapa da cidade e compre o “Percurso da Coruja”, guia do centro histórico da cidade. Ele custa apenas 3€50 e vai guiá-lo pelos 22 pontos mais interessantes da cidade, seguindo as flechas de bronze pelo chão. Ele existe em português do Brasil, coisa rara na França! A versão brasileira foi feita por moi, na época que trabalhava lá :) Escrevi um post sobre o Percurso da Coruja que pode ser lido aqui.

Pronto! Agora você está equipado para seu dia em Dijon!

Continue pela avenue Foch, o centro histórico fica a 5 minutos da estação de trem. Siga o Percurso da Coruja, passando pelo Jardim Darcy até chegar na porte Guillaume, o mini Arco do Triunfo de Dijon.

A rua que começa na Porte Guillaume, a rue de la Liberté, é uma das principais ruas de Dijon, e a mais movimentada. Ela não está no percurso mas não deixe de passar por ela. Na rue de la Liberté ficam lojas ótimas, como a Galeries Lafayette e a Boutique Maille, que vende uma quantidade enorme de mostardas diferentes (existe uma réplica desta loja em Paris, na Madeleine), aromatizadas até com caviar. A minha mostarda preferida é a moutarde au Chablis, que sai fresca da torneira igual chope. Você pode degustar vários tipos e escolher a sua, é uma ótima idéia de presente.


 

Se você estiver em Dijon numa terça, quinta, sexta ou sábado, o Marché des Halles é uma parada obrigatória! Lá é possível encontrar ótimos produtos, em especial o jambon persillé, ou presunto com uma espécie de gelatina de salsinha, uma especialidade da Bourgogne. Mesmo sem comprar nada, vale o passeio! Mas vá logo cedo, pois o mercado só funciona de manhã, e na quinta apenas algumas barracas estão abertas. Alguns dias tem também uma feirinha de antiguidades nas ruas vizinhas, principalmente perto da Place Grangier e da Place François Rude na foto aí embaixo.

 

Pausa para o almoço

As ruas em volta do Marché des Halles são uma ótima opção para almoçar. Dê uma volta completa no mercado e procure nas ardósias o menu que mais te apetece! Os restaurantes aqui são muito bons e baratos, com produtos frescos vindos diretamente do mercado. Meus preferidos são o restaurante L’O (formule entrada + prato + sobremesa por apenas 13€), o Casa di Lola (massas e pizzas) ou o D’Zenvies. Se estiver com vontade de um restaurante mais elaborado, com menu tradicional da Bourgogne, prefira os restaurantes gastronômicos como “La Dame d’Aquitaine” (place Bossuet) ou Les Oenophiles (rue Sainte Anne). São mais caros mas oferecem uma cozinha e vinhos de altíssima qualidade!

Uma particularidade das cidades de pequeno e médio porte da França como Dijon é que os restaurantes só funcionam de 12 às 14h. Se você chegar às 13:45 querendo almoçar, é bem provável que nem te aceitem mais, ou que a maioria dos pratos tenha acabado. Ou seja, fique esperto pra não ter que se contentar em comer um lanche no Mc Donald’s!

Os museus de Dijon

Depois do almoço, continue seguindo o Percurso, mas não deixe de entrar em um dos museus. Dijon tem 8 museus com temas diferentes, o que é excepcional pra uma cidade desse tamanho. Como num dia só não dá pra ver todos, escolha o mais legal, que é o Musée des Beaux-Arts, que fica no Palais des Ducs et des Etats de Bourgogne. Esse realmente é imperdível! Além da coleção ser super interessante, o museu é lindo, pois fica num palácio, assim como o Louvre. O destaque fica para a Salle des Gardes, onde se encontram os túmulos dos Ducs de Bourgogne. O melhor disso tudo? Todos os museus de Dijon (exceto o Musée Magnin) são grátis!

  

Ainda no Palais des Ducs é possível subir na Tour Philippe le Bon. As subidas são organizadas a cada 45 minutos e custam 2€30. Vai ser preciso um pouco de fôlego pra subir a pé os 316 degraus que levam ao topo, mas a vista compensa! O interessante é procurar pelos telhados coloridos típicos da Borgonha, feitos de telhas vitrificadas:


Aproveitando que já queimou umas calorias com a subida, antes de voltar passe em uma das lojas que vendem outra especialidade de Dijon: o pain d’épices. É como um pão de mel, sem cobertura de chocolate, e um pouco mais seco. Ele não é ideal pra ser consumido puro, mas é uma delícia com geléia ou foie gras. As lojas La Rose de Vergy (rue de la Chouette) et Mulot et Petit Jean (place Bossuet) são as mais tradicionais. Os biscoitos, balas e doces da Rose de Vergy são feitos na própria loja todas as manhãs e a loja da Mulot et Petit Jean é lindíssima e vale uma visita nem que seja só pra olhar.

 

Bate-e-volta em Dijon, parte 1

Pra não dizerem que santo de casa não faz milagre, aqui vai uma idéia de bate-e-volta saindo de Paris a Dijon, a linda cidade em que estudei, morei, trabalhei como assessora de imprensa turística e que adoro! Tenho tanta coisa pra falar e tanta foto pra mostrar que poderia escrever um livro. Mas pra não cansar a beleza de quem estiver lendo, vou dividir as dicas em vários posts relacionados entre eles :)

Dijon é a capital da região Bourgogne, antiga capital dos Duques que na idade média possuíam um império mais vasto e importante que o da coroa francesa: o ducado ia da atual Borgonha até a Suíça, e da Bélgica até a Holanda e o Luxemburgo. Por isso em Dijon tudo gira em torno dos ducs de Bourgogne: Philippe le Bon, Charles le Téméraire, Philippe le Hardi e Jean Sans Peur são nomes que você vai ver pra todo lado. Foi só em 1678, sob o reinado de Louis XIV, que a Borgonha foi anexada ao reino da França.

Place de la Libération, com o Palais des Ducs de Bourgogne ao fundo

Dijon é considerada uma cidade “mimada”. O pessoal aqui nunca passou dificuldade, a cidade foi preservada por todas as guerras e catástrofes pelas quais a França passou, a terra é fértil e o clima… bom, o clima já é outra história ;) Por isso em Dijon, num perímetro bem pequeno, é possível encontrar em ótimo estado tanto ruelas medievais, daquelas com casas de tijolinho e madeira aparente, herança da época em que Dijon fazia parte da rota comercial de especiarias e tecidos, quanto lindos palacetes (ou hôtels particuliers) da Renascença, época em que Dijon era uma das cidades preferidas da burguesia endinheirada.

A cidade capital dos duques herdou daquela época a reputação de ser uma rica cidade burguesa, nos moldes de Paris. Só que hoje beeeeem menor.  E isso é o que eu prefiro aqui: acho que Dijon é um dos mais belos exemplares de cidades do interior da França que ainda não foram completamente invadidas pelos turistas, e justamente por isso propiciam uma experiência de passeio bem mais autêntica.  Aqui tem de tudo do bom e do melhor, tudo fica pertinho, o centro histórico pode todo ser visitado a pé… sem falar que estamos na Bourgogne! Região dos vinhos e da gastronomia por excelência. Hummmm…

 

Quando e como ir a Dijon

Apesar de achar que é preciso pelo menos dois dias pra visitar Dijon corretamente, um bate-e-volta já dá um passeio legal e é muito fácil: Dijon fica a apenas 1h40 de TGV de Paris saindo da Gare de Lyon. O ideal é pegar o TGV Paris-Dijon que sai às 8h28 e chega às 10h05 na ida, e o Dijon-Paris que sai às 17h58 e chega às 19h48 na volta. Não fique com preguiça de acordar cedo pra ir e voltar mais tarde, pois assim você vai aproveitar muito menos…

Não compensa ir a Dijon de carro, a não ser que você esteja fazendo um circuito e não um bate-e-volta. De carro é preciso contar mais de 3 horas de viagem de Paris, o que deixa o dia bem puxado. Sem falar que o carro vai ser mais um estorvo do que uma utilidade; a única coisa que você vai fazer com seu carro é estacionar (com dificuldade) e deixar encostado o dia todo. Nem pense em circular de carro em Dijon, por enquanto é a pior idéia do mundo. As ruelas são pequenas, as vagas de estacionamento são raras e caras, sem falar que até setembro de 2012 a circulação da cidade estará um caos por causa das obras de construção do bondinho elétrico, que virou mania em todas as cidades francesas.

Detalhe: Dijon é uma cidade linda, mas pequena. Então evite ir no domingo pois quase tudo vai estar fechado, como na maioria das cidades de pequeno e médio porte na França que não vivem exclusivamente do turismo. Segunda-feira de manhã muitos comércios também fecham, mas abrem à tarde, então não atrapalha muito. Terça-feira é um dia a ser evitado pra quem gosta de museus, pois é o dia em que todos estão fechados.

Quanto à época do ano, todas as estações valem, apesar da meia-estação (primavera, abril/maio e outono, setembro/outubro) ser o período mais agradável. Apresento a vocês Dijon, cidade que tem uma das maiores amplitudes térmicas da França: no inverno faz um frio de lascar, enquanto no verão faz um calor de rachar mamona. Ótimo, não?

 

A seguir: passeios em Dijon, o que ver, o que comprar e o que comer

 

Château de Gilly, na rota dos vinhos da Borgonha

Ainda na rota dos vinhos da Borgonha, pertinho do Château du Clos de Vougeot fica o Château de Gilly. Outro castelo próximo dos vinhedos e que tem (obviamente) ótimos vinhos. É uma ótima parada no roteiro, mas este castelo não é do tipo que se visita: ele foi transformado em hotel-restaurante 4 estrelas.

Mesmo assim, você pode passear no jardim francês do Château de Gilly que é lindo, tem até pista de helicóptero e um riacho ao lado do castelo.

 

Mas recomendo mesmo almoçar ou jantar lá. No almoço durante o verão eles têm um agradável terraço com menus não muito caros, por volta de 20 euros. Já no jantar, é o restaurante gastronômico Le Clos Prieur que abre no subsolo do castelo. Depois de passar num corredor subterrâneo, você chega numa linda cave sob abóbodas de pedra. Já fui jantar lá algumas vezes, é super romântico e o jantar gastronômico é digno dos melhores gourmets.

 

Pessoa feliz diante de um prato cheio

O bar também é muito agradável, com sofás confortáveis e uma enorme lareira em frente a uma mesa de bilhar. Fiquei lá relaxando e tomando um cafezinho… achei lindo e depois chorei com o preço do café. Mas chorei chique e fina, porque estava num castelo, n’est-ce pas? Pagar caro num prato super elaborado, feito com tudo da melhor qualidade, tudo bem. Mas pagar 6 euros num Nespresso… só se for servido pelo George Clooney.

Nunca fiquei lá pra dormir mas conheço os quartos da parte do Château de Gilly que é hotel. Sabe o quarto da Maria Antonieta em Versalhes? Pois é bem por aí mesmo. Tudo decorado com cortina florida, candelabro, frufru, coisa dourada e pompom pra todo lado. Não sou muito chegada nessas coisas, prefiro hotéis mais modernos mesmo, mas pra quem gosta desse estilo, não tem nada melhor.

 

Dizem que o Gérard Depardieu quando vem na região fica lá, numa suíte master que fica separada das outras, como se fosse um mini castelinho exclusivo. Dá pra ver nessa foto aí embaixo. Gente, fui lá nesse quarto uma vez, ele era maior que o apartamento que eu tinha na época. E o preço da diária era praticamente o preço do meu aluguel por mês. Quem pode, pode, né…

 

Confira as fotos dos quartos e reserve no site do Booking.com.

Château de Gilly
Gilly-lès-Cîteaux 21640 VOUGEOT

 

 

Vilarejo de Rouvres-en-Plaine, no interior da Bourgogne

Mais uma da série “Lugares que (quase) ninguém conhece”: o vilarejo de Rouvres-en-Plaine na Bourgogne.

      

Rouvres-en-Plaine é uma pacata cidadezinha rural de 1.000 habitantes, que apesar do seu tamanho minúsculo não deixa de ter sua importância histórica. Nada mais normal, já que aqui na França é praticamente impossível cavar um buraco sem achar uma relíquia dos romanos ou dos gauleses ou de uma das guerras ou algo assim.

   

Quem passa por aqui hoje não imagina que essa cidade já foi um lugar importante na época dos romanos, e um dos locais de residência dos duques da Borgonha na idade média. Durante as guerras com o reinado da França, a família ducal veio morar em Rouvres para escapar da epidemia de peste negra que estava pegando geral.

    

A igreja do séc. XIII de Rouvres-en-Plaine foi tombada e faz parte do patrimônio histórico. Observe o cemitério bem cuidado, todo florido alguns dias depois do feriado da toussaint.

Na verdade Rouvres não tem nada de realmente interessante, mas vale como curiosidade pois é difícil achar algo mais típico do interior da Borgonha. Além disso, as cores do outono deixam qualquer cidade linda…

 

 

 

clos vougeot

Château du Clos de Vougeot

O Château du Clos de Vougeot (clô de vujô) fica na Route des vins de Bourgogne (rota dos vinhos da Borgonha), no vilarejo de Vougeot, na metade do caminho entre Dijon e Beaune. Situado em meio aos belos vinhedos da Côte de Nuits, é o mais famoso castelo da região.

A particularidade do Clos de Vougeot é que apesar de estar situado em pleno vinhedo, lá não se degusta e não se vende nenhum vinho. Mesmo sem degustação ou compra, vale a pena fazer uma visita só pra ver as gigantescas prensas de uva originais do séc. XII, e o belo pátio interior.

              

Atualmente a principal função desse monumento histórico, além do turismo, é ser a sede da Confrérie des Chevaliers du Tastevin.

A confraria foi criada em 1934 para promover os vinhos e a cultura da Borgonha, e apesar de contar com 12.000 membros no mundo todo, ela é um clube fechadíssimo composto por ilustres glutões locais e internacionais, como Jacques Chirac e Gérard Depardieu.

No Clos de Vougeot algumas vezes por ano a Confrérie organiza banquetes chamados “chapitres”. Eles são eventos concorridíssimos, até pra quem é membro da confraria. Meu chéri já participou de um, mas em condições bem especiais, quando fez o serviço militar como gendarme em Nuits Saint Georges, o principal vilarejo próximo de lá. E o que um guardião da paz faz num vilarejo tão pacato? Bebe vinho durante as rondas e ajuda na segurança dos chapitres, com direito a jantar e beber como os demais cavaleiros… só que nos bastidores.

 

Quem quiser degustar ou comprar os vinhos do Clos de Vougeot (que são ótimos, diga-se de passagem) precisa ir ao Château de la Tour, o mini-castelinho que fica na mesma estradinha de terra que leva ao Clos de Vougeot.