Bate-e-volta em Dijon, parte 1

Pra não dizerem que santo de casa não faz milagre, aqui vai uma idéia de bate-e-volta saindo de Paris a Dijon, a linda cidade em que estudei, morei, trabalhei como assessora de imprensa turística e que adoro! Tenho tanta coisa pra falar e tanta foto pra mostrar que poderia escrever um livro. Mas pra não cansar a beleza de quem estiver lendo, vou dividir as dicas em vários posts relacionados entre eles :)

Dijon é a capital da região Bourgogne, antiga capital dos Duques que na idade média possuíam um império mais vasto e importante que o da coroa francesa: o ducado ia da atual Borgonha até a Suíça, e da Bélgica até a Holanda e o Luxemburgo. Por isso em Dijon tudo gira em torno dos ducs de Bourgogne: Philippe le Bon, Charles le Téméraire, Philippe le Hardi e Jean Sans Peur são nomes que você vai ver pra todo lado. Foi só em 1678, sob o reinado de Louis XIV, que a Borgonha foi anexada ao reino da França.

Place de la Libération, com o Palais des Ducs de Bourgogne ao fundo

Dijon é considerada uma cidade “mimada”. O pessoal aqui nunca passou dificuldade, a cidade foi preservada por todas as guerras e catástrofes pelas quais a França passou, a terra é fértil e o clima… bom, o clima já é outra história ;) Por isso em Dijon, num perímetro bem pequeno, é possível encontrar em ótimo estado tanto ruelas medievais, daquelas com casas de tijolinho e madeira aparente, herança da época em que Dijon fazia parte da rota comercial de especiarias e tecidos, quanto lindos palacetes (ou hôtels particuliers) da Renascença, época em que Dijon era uma das cidades preferidas da burguesia endinheirada.

A cidade capital dos duques herdou daquela época a reputação de ser uma rica cidade burguesa, nos moldes de Paris. Só que hoje beeeeem menor.  E isso é o que eu prefiro aqui: acho que Dijon é um dos mais belos exemplares de cidades do interior da França que ainda não foram completamente invadidas pelos turistas, e justamente por isso propiciam uma experiência de passeio bem mais autêntica.  Aqui tem de tudo do bom e do melhor, tudo fica pertinho, o centro histórico pode todo ser visitado a pé… sem falar que estamos na Bourgogne! Região dos vinhos e da gastronomia por excelência. Hummmm…

 

Quando e como ir a Dijon

Apesar de achar que é preciso pelo menos dois dias pra visitar Dijon corretamente, um bate-e-volta já dá um passeio legal e é muito fácil: Dijon fica a apenas 1h40 de TGV de Paris saindo da Gare de Lyon. O ideal é pegar o TGV Paris-Dijon que sai às 8h28 e chega às 10h05 na ida, e o Dijon-Paris que sai às 17h58 e chega às 19h48 na volta. Não fique com preguiça de acordar cedo pra ir e voltar mais tarde, pois assim você vai aproveitar muito menos…

Não compensa ir a Dijon de carro, a não ser que você esteja fazendo um circuito e não um bate-e-volta. De carro é preciso contar mais de 3 horas de viagem de Paris, o que deixa o dia bem puxado. Sem falar que o carro vai ser mais um estorvo do que uma utilidade; a única coisa que você vai fazer com seu carro é estacionar (com dificuldade) e deixar encostado o dia todo. Nem pense em circular de carro em Dijon, por enquanto é a pior idéia do mundo. As ruelas são pequenas, as vagas de estacionamento são raras e caras, sem falar que até setembro de 2012 a circulação da cidade estará um caos por causa das obras de construção do bondinho elétrico, que virou mania em todas as cidades francesas.

Detalhe: Dijon é uma cidade linda, mas pequena. Então evite ir no domingo pois quase tudo vai estar fechado, como na maioria das cidades de pequeno e médio porte na França que não vivem exclusivamente do turismo. Segunda-feira de manhã muitos comércios também fecham, mas abrem à tarde, então não atrapalha muito. Terça-feira é um dia a ser evitado pra quem gosta de museus, pois é o dia em que todos estão fechados.

Quanto à época do ano, todas as estações valem, apesar da meia-estação (primavera, abril/maio e outono, setembro/outubro) ser o período mais agradável. Apresento a vocês Dijon, cidade que tem uma das maiores amplitudes térmicas da França: no inverno faz um frio de lascar, enquanto no verão faz um calor de rachar mamona. Ótimo, não?

 

A seguir: passeios em Dijon, o que ver, o que comprar e o que comer

 

4 opiniões sobre “Bate-e-volta em Dijon, parte 1”

  1. Muito bom, parabéns! E para comprar vinhos, onde é melhor? Existem vinicolas proximas? Eu terei so um dia livre em Paris em Outubro e gostaria de ir para Borgonha preferencialmente, ou outra regiao vinicola, para passear e comprar vinhos e acredito que o TGV seja a melhor forma, pois meu voo sai a noite de Paris. Alguma dica?

  2. Ola, boa noite.
    Vou passar do dia 25 a 5 de dezembro na regiao da borgonha. O nosso ano novo será em Dijon. VOcê tem alguma dica do que é interessante fazer lá nesta data?
    Além disso, conhece algum hotel-vinicola bacana?
    Obrigado
    Abs
    Alan

  3. Olá,
    Morei em Dijon durante 2011-2012. Fiz faculdade nessa cidade maravilhosa, adoro esse lugar fantastico. Sinto muito falta, das noites lindas que essa cidade me oferecia. As pessoas que encontrei são bem diferentes, enfim Dijon me deixa com grandes saudades

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