Entre frogs e rosbifs

Outro dia no TGV com meu chéri, um casal de americanos muy discretos sentou na nossa frente e começou a bater uma papo animado que estava irritando profundamente a francesada do trem. Foi aí que ele soltou algo como: Ils ne peuvent pas fermer leur gueule, ces rosbifs?

Eu tive que explicar que pelo sotaque não se tratava de um casal de ingleses, mas sim de americanos.Alors ils ne peuvent pas fermer leur gueule, ces ricains?

É, gente, francês é intolerante mesmo. Mas o tópico aqui é a maneira ‘carinhosa’ que eles têm de apelidar certas nacionalidades.

Pra começar, ‘fermer sa gueule‘ quer dizer calar a boca, mas dito de um jeito nada amigável.

Em seguida, da mesma maneira que os amigos britânicos apelidaram os franceses de frog, os franceses retribuíram a gentileza apelidando os ingleses de rosbif.

Os americanos viraram ‘ricain‘, os italianos ‘rital‘, os portugueses ‘portos‘ ou simplesmente ‘tôs‘, os chineses ‘chintok‘. A conotação é equivalente a se dizer um portuga ou um japoronga no Brasil. Não chega a ser como xingar a mãe, mas também não é nada muito elogioso.

Menção especial para os alemães que mereceram vários apelidos: schleu, bosch ou fritz, entre outros. Provavelmente esse “carinho” todo foi resultado da ocupação alemã na 2ª guerra mundial.

A boa notícia é que brasileiro não tem apelido. Na verdade acho que somos uma das raras nacionalidades que merecem a simpatia da francesada. É só falar que vem do Brasil que todo mundo já se abre. Bom, né?

 

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3 comentários

  1. Então eu vou de camiseta verde amarela sambando!!!

    • Rosália em 11 outubro 2011 às 20:21
    • Responder

    Adorei, Aninha! Não tenho muita experiência com os rosbifs, mas me dou muito bem com os frogs. Gosto deles, principalmente daquele hábito do parisiense de sentar num café pra ficar observando e fofocando sobre quem está passando…
    Até comecei a aprender a sossegar um pouco, sentar, pedir uma Orangina e ficar observando os passantes. Problema é que quando comecei a gostar tive que vir embora…

    1. Sentar e ficar comentando sobre os que passam é a atividade preferida dos meus sogros. Eles são tão especialistas que até batizaram essa modalidade esportiva. On va faire une “partie de banc”. Voto pra que a nova disciplina seja incluída nas próximas olimpíadas!

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