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Como escolher um bom restaurante na França

Ai que dúvida...

A França além de ser o país da boa gastronomia por excelência, é o país mais turístico do mundo. Sem pedir perdão pela piada ruim, isso acaba sendo uma faca de dois “legumes”: ao mesmo tempo em que aqui existem os melhores chefs e restaurantes, toda cidade turística está cheia de armadilhas gastronômicas para enganar o visitante desavisado.

Mas como saber se um restaurante é bom ou pura enganação? Aqui vão algumas dicas para evitar restaurante engana-turista, recolhidas depois de anos de comilanças diversas em todo tipo de lugar.

1. Fuja dos lugares muito turísticos.

Tudo bem que é mais fácil na teoria do que na prática, mas se quiser comer bem, tente organizar os passeios do dia em função dos horários das  refeições. Se o estômago roncar bem na frente da Notre Dame ou do Arco do Triunfo, não se iluda. Tudo ali perto é roubalheira. Você vai acabar comprando um sanduíche de pão com queijo fuleiro que vai te custar uns 8 €. Os bairros residenciais costumam ter opções muito melhores. Fique de olho nos restaurantes das ruazinhas em volta do seu hotel, por exemplo.

2. Observe a clientela do local

Restaurante ou brasserie engana-turista é cheio de… turista! Você acha realmente que o parisiense safo vai ficar se espremendo no bistrô perto do Louvre cheio de turista sem noção? No way. Se perceber uma galera de bermuda, sandália papete com meia, camisa florida e máquina fotográfica no pescoço fazendo fila em algum lugar, saia correndo que é furada.

3. Desconfie de menus com muitas opções

Nossa, aqui a gente pode comer de tudo! Tem 10 tipos de salada, carne, peixe, frango, sanduíche, sopa, fondue… Que ótimo? Nada. Muita variedade quer dizer muita comida congelada e enlatada que o cozinheiro joga no micro-ondas. Um chef de verdade vai buscar seus produtos frescos, prepara tudo com cuidado e só usa produtos da estação. Ou seja, impossível ter 20 pratos diferentes e de qualidade no menu. Nos bons restaurantes há poucas opções de pratos mas que mudam a cada 2 ou 3 meses em função da disponibilidade dos produtos frescos.

4. Observe a coerência do cardápio

Quer experimentar escargot, foie gras, ratatouille, coq au vin e fondue tudo na mesma viagem a Paris? Ótimo, mas um restaurante que oferece isso tudo ao mesmo tempo muito provavelmente só está desembalando comida congelada. A França é como o Brasil, cada região tem sua especialidade. Ninguém vai comer um bom pão de queijo no Pará nem um bom frango com pequi no Rio Grande do Sul. Não canso de dizer que pra se comer bem mesmo, tem que comer na região de onde vem cada coisa.  Portanto, desconfie da creperia que propõe escargot de entrada. Informe-se sobre a origem do prato que você quer experimentar e se não der pra ir na região em questão, escolha pelo menos um restaurante com especialidade daquele lugar. Em Paris tem de tudo.

5. Fique atento às opções de sobremesa

Um bom restaurante, além de um bom chef tem também um chef pâtissier, que são dois profissionais diferentes. O chef pâtissier é encarregado exclusivamente de criar e fazer as sobremesas e vai propor poucas opções, mas originais e elaboradas. Sabe o que você vai encontrar no menu de um restaurante tipo micro-ondas? Posso dizer sem pestanejar: fondant au chocolat, tarte au citron, coupe de glace, tartare d’ananas e salade de fruits. Tudo comprado congelado, exceto a salada de frutas que com certeza é enlatada.

6. Preço não é garantia de qualidade

Parece óbvio, mas não é só porque o restaurante é caro que ele vai ser bom, principalmente se for localizado num lugar muito turístico. O preço do aluguel de um local comercial nessas áreas é caríssimo, e o dono do restaurante tem que rentabilizar o investimento de alguma maneira. Adivinha quem vai pagar por isso? Você.

 

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4 comentários

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  1. Raquel

    Deu fome!

  2. @WSarai

    Dicas muito boas e sensatas. Já fui diversas vezes à França e realmente você tocou nos pontos principais. Parabéns pelo site.

  3. Andrea de Azevedo Freitas

    Estive em Paris em maio e, realmente, não é fácil se alimentar adequadamente em uma cidade cara. Eu tenho uma restrição a mais, pois alguns alimentos são impróprios para o meu consumo e a prioridade era conhecer os museus e obras de arte, não a culinária francesa (me perdoem os gourmets de plantão). Como aluguei um apartamento, tive a possibilidade de abastecer a geladeira com frutas, iogurtes de soja, sucos (de caixinha), saladas ( de saquinho) e sopas (embaladas em tetrapack). De manhã fazia um mega desjejum e partia pros passeios. quando a fome batia, às vezes bem depois do meio dia, comia um desses sanduíches de rua, que os cafés deixam prontos numa vitrine, recheados com queijo brie, jambon , alface e tomate. Paguei entre 3,50 e 4,00 euros, e nem bebia nada, porque não tinha mão pra segurar (o sanduíche é imenso) e eu saía andando, pra não perder tempo. Um dia sentei num restaurante bem simples, perto da casa de Victor Hugo, e paguei 10 euros por um plât de jour, que não foi nem bom nem ruim. Me lembrou aqueles PFs de São Paulo. Sobrevivi. De outra feita sentei num bistrô chique, perto do Louvre. Um bifinho de frango, com uma salada minúscula, um molhinho de sei lá o quê, duas águas e uma salada de frutas ficaram em torno de 60 euros. Nesse dia eu era convidada de um amigo, ele escolheu o restô e eu só fiz sentar. A salada de frutas foi o almoço dele, que é muçulmano e não pode comer animais abatidos de uma forma cruel. Eu vi meu amigo tentar comer, inclusive, a coroa do abacaxi, que servia apenas de enfeite pra salada e devia ser amarga e espinhenta, cruzes… Apesar do custo alto e dos espinhos, continuamos amigos e eu confirmei o que já haviam me alertado: nada de comer em áreas mega turísticas. À noite tomava uma sopinha, com um pão integral e desmaiava de sono. Voltarei em breve.

  4. Tess

    You’ve hit the ball out the park! Inecideblr!

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